Dieta Já!
Edição 101 - Fevereiro/2005
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  Efeito sanfona
Veja como pode ser bem perigoso para o organismo e para a boa forma se deixar levar pelo eterno vai-e-vem da balança

por Talita Pareja

O engorda-emagrece é desgastante e prejudicial à saúde.
O endocrinologista Alfredo Halpern, professor da Universidade de São Paulo (USP), enfatiza a necessidade de se pensar em um emagrecimento duradouro. Ele alerta: "Em seguida à dieta, é necessário redobrar a vigilância para não voltar a engordar".

O que é o efeito sanfona?
É a dificuldade em manter o peso. Isto é, depois que a pessoa enxuga os quilos extras, recupera tudo o que perdeu e, às vezes, um pouco mais. Para compensar, entra novamente em um período de privações, iniciando um processo cíclico de engorda-emagrece.

Depois da dieta, o corpo tende a recuperar os quilos perdidos?
Para o organismo, a falta do estoque de energia armazenada em forma de gordura é vista como uma ameaça. Por isso, na primeira oportunidade busca guardar combustível até reconquistar suas reservas. Costumo dizer que há quatro forças engordativas: comer demais, queimar menos calorias, armazenar energia facilmente e desfazer gorduras com mais dificuldade. Quando a pessoa emagrece, a atuação dessas forças é incentivada por uma série de ações do organismo com a finalidade de se defender do déficit calórico.

Então é verdade que manter o peso depois do regime é mais difícil do que perdê-lo?
Sim. A obesidade não tem cura: ela é apenas tratada e conservada sob controle. Para permanecer saudável, os cuidados com a alimentação e a vigilância devem ser para o resto da vida.

É preciso, então, adotar o mesmo cardápio para sempre?
Não. Pode-se comer de tudo, só que em porções moderadas. Segundo uma regra que costumo seguir, o ideal é manter cuidados por um período equivalente a um mês por quilo eliminado. Assim, quem afinou 20 kg, deve ficar especialmente atento à alimentação por 20 meses. Nesse período, o corpo vai apagando da memória o excesso de peso anterior, assimilando a nova situação como padrão. Depois, fica mais fácil continuar em forma.

Após o primeiro episódio de efeito sanfona, a perda de peso fica mais difícil?
Exato. Porque o corpo já se antecipa para uma possível falta de energia e desacelera o funcionamento do metabolismo, queimando menos calorias. Se for para emagrecer pela metade e depois engordar de novo, é melhor deixar o projeto para depois.

Existem dietas que levam mais a essa situação?
Há, sim. Pessoas que adotam programas restritivos são as principais vítimas. Por terem de suportar alta privação, muitas não agüentam prosseguir e acabam se entregando à compulsão e à atuação das forças engordativas. Nesses casos, é comum ganhar até mais quilos do que foram eliminados.

É preferível ter um emagrecimento mais lento?
Com certeza. O ideal é que ele seja gradual, pois o corpo precisa de tempo para se adaptar aos novos patamares. Afinar não deve ser encarado como uma corrida de 100 metros, mas sim como uma maratona.

Quais as conseqüências do efeito sanfona para a saúde?
São praticamente as mesmas de se permanecer obesa, com o agravante de que o organismo fica instável. Então, pode-se sofrer mais facilmente de hipertensão, diabetes e até ter infartos.


 

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