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Efeito sanfona Veja como pode ser bem perigoso para o organismo e para a boa forma se deixar levar pelo eterno vai-e-vem da balança
por Talita Pareja
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| O engorda-emagrece é desgastante e prejudicial à saúde. |
O endocrinologista Alfredo Halpern, professor da Universidade de São
Paulo (USP), enfatiza a necessidade de se pensar em um emagrecimento duradouro.
Ele alerta: "Em seguida à dieta, é necessário redobrar a vigilância para
não voltar a engordar".
O que é o efeito sanfona?
É a dificuldade em manter o peso. Isto é, depois que a pessoa enxuga os
quilos extras, recupera tudo o que perdeu e, às vezes, um pouco mais.
Para compensar, entra novamente em um período de privações, iniciando
um processo cíclico de engorda-emagrece.
Depois da dieta, o corpo tende a recuperar
os quilos perdidos?
Para o organismo, a falta do estoque de energia armazenada em forma de
gordura é vista como uma ameaça. Por isso, na primeira oportunidade busca
guardar combustível até reconquistar suas reservas. Costumo dizer que
há quatro forças engordativas: comer demais, queimar menos calorias, armazenar
energia facilmente e desfazer gorduras com mais dificuldade. Quando a
pessoa emagrece, a atuação dessas forças é incentivada por uma série de
ações do organismo com a finalidade de se defender do déficit calórico.
Então é verdade que manter o peso depois
do regime é mais difícil do que perdê-lo?
Sim. A obesidade não tem cura: ela é apenas tratada e conservada sob controle.
Para permanecer saudável, os cuidados com a alimentação e a vigilância
devem ser para o resto da vida.
É preciso, então, adotar o mesmo cardápio
para sempre?
Não. Pode-se comer de tudo, só que em porções moderadas. Segundo uma regra
que costumo seguir, o ideal é manter cuidados por um período equivalente
a um mês por quilo eliminado. Assim, quem afinou 20 kg, deve ficar especialmente
atento à alimentação por 20 meses. Nesse período, o corpo vai apagando
da memória o excesso de peso anterior, assimilando a nova situação como
padrão. Depois, fica mais fácil continuar em forma.
Após o primeiro episódio de efeito sanfona,
a perda de peso fica mais difícil?
Exato. Porque o corpo já se antecipa para uma possível falta de energia
e desacelera o funcionamento do metabolismo, queimando menos calorias.
Se for para emagrecer pela metade e depois engordar de novo, é melhor
deixar o projeto para depois.
Existem dietas que levam mais a essa situação?
Há, sim. Pessoas que adotam programas restritivos são as principais vítimas.
Por terem de suportar alta privação, muitas não agüentam prosseguir e
acabam se entregando à compulsão e à atuação das forças engordativas.
Nesses casos, é comum ganhar até mais quilos do que foram eliminados.
É preferível ter um emagrecimento mais
lento?
Com certeza. O ideal é que ele seja gradual, pois o corpo precisa de tempo
para se adaptar aos novos patamares. Afinar não deve ser encarado como
uma corrida de 100 metros, mas sim como uma maratona.
Quais as conseqüências do efeito sanfona
para a saúde?
São praticamente as mesmas de se permanecer obesa, com o agravante de
que o organismo fica instável. Então, pode-se sofrer mais facilmente de
hipertensão, diabetes e até ter infartos. |
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