Dieta Já!
Edição 101 - Fevereiro/2005
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  Na onda da dieta positiva
Quem disse que "proibido é mais gostoso" nunca fez regime. Na verdade, quando se come com culpa nem dá para sentir o gosto direito. Veja como repensar tudo isso

por Lucilia Diniz

ILUSTRAÇÃO: MARCELO ALMEIDA.
Se você faz dieta, sabe como é viver meio que andando na corda bamba. Café da manhã: frutas, queijo magro e uma porção mínima de carboidrato (meio pãozinho, ou duas torradas pequenas, e olhe lá). Almoço: salada (cuidado com o molho!), um filé sem gordura, mais uma dose ínfima de carboidrato (uma colher de sopa de arroz ou batata, por exemplo). Doce na sobremesa? Alerta máximo, pois exige controle absoluto para não se ingerir além da conta. Será possível que alguém tenha prazer nas refeições praticando tanto malabarismo? É pouco provável que consiga...

Se você está cansada de ouvir sobre o que não deve comer, bem-vinda ao clube! Enquanto segui tabelas e mais tabelas de proibições, dieta nenhuma funcionou para mim. Algumas eram tão restritivas que não deixavam outra opção além de um filé anêmico e uma salada burocrática. Diante de um bufê variado e colorido, minha sensação era de puro desalento: se todos aqueles alimentos não podiam ser degustados, por que existiam? Era como se eu fosse os personagens João e Maria, aqueles da história infantil, diante da casa feita toda de doces da bruxa. É só dar uma mordida no telhado de chocolate e - pimba! - lá vem ela correndo atrás de você, cruel e ameaçadora. Péssimo, não?

A pressão pesa
Obviamente, chega uma hora em que quem vive assim acaba transgredindo as regras drásticas do regime. Quando isso acontece, come sem pensar muito e depois tem que lidar com a culpa e o remorso. Esses momentos às vezes são tão doloridos que a pessoa tende, então, a devorar tudo o que vê pela frente com rapidez, como se, de repente, fosse ser pega em flagrante por alguém. O pior é que, ao comer com pressa, mal dá tempo das papilas gustativas perceberem o sabor e, por conseqüência, o cérebro é privado da sensação do desejo satisfeito. Resultado: o indivíduo ingere além do que precisa e entra num círculo vicioso no qual se alternam episódios de compulsão alimentar e momentos de baixa auto-estima.


A chamada 'alimentação positiva' valoriza os itens permitidos em vez de insistir nos proibidos

 
 

Graças aos céus, médicos e nutricionistas já perceberam que esse tipo de dieta superproibitiva não funciona. Os especialistas estão mudando o foco das atenções e pedindo concentração nos alimentos liberados. Afinal, a propaganda é a alma do negócio... Imagine-se saindo para almoçar por volta do meio-dia e ouvindo: "Você não deve comer batata frita!". Pode ser que, até aquele momento, nem estivesse pensando nisso. A recomendação, contudo, traz a imagem quente e crocante de uma porção e invade seu cérebro com força total. Aí, é inevitável: você sai pela rua com vontade de passar na primeira lanchonete que encontrar no caminho e pedir a delícia.

Por isso, nos Estados Unidos, até mesmo as campanhas promovidas por órgãos de saúde estão tentando valorizar mais os itens permitidos do que insistir nos proibidos - numa linha batizada de 'alimentação positiva'. A idéia é mostrar que o prazer pode, sim, estar contido num prato de salada temperada com um caprichado molho light ou num belo suflê de legumes. O que antes era vetado, mas repetido à exaustão como interdição, passa para segundo plano. Acredito nesse caminho: tentar pensar positivamente em relação à comida. E mais: entender que ela faz parte de algo maior, que é o seu modo de ser, de pensar, de viver...

Lucilia Diniz é autora do livro O Prazer de Viver Light, que ensina o método usado por ela mesma para emagrecer 60 kg

 

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