Dieta Já!
Edição 103 - Abril/2005
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  Dieta do Dr. Atkins
Confira o ponto de vista de quem defende - e sugere! - o programa de emagrecimento que ainda gera bastante controvérsia

por Ana Lúcia Neiva

FOTO: SÍMBOLO IMAGENS.
Além de proteínas e gorduras, o cardápio libera carboidratos simples desde que acompanhados de vegetais
O cardiologista José Renato das Neves, de São Paulo (SP), elegeu o polêmico método criado em 1972 pelo doutor Robert C. Atkins (que foi e continua sendo criticado) para recomendá-lo a seus pacientes. "A proposta é uma forma de se alimentar corretamente para sempre", justifica Neves.

Por que indica essa dieta?
Primeiro, por existirem mais de 40 estudos científicos que atestam sua eficiência. Depois, quando a obesidade é abordada de forma agressiva, como faz a Dieta do Dr. Atkins, a hipertensão, o triglicéride e o diabetes se estabilizam. Trabalhos recentes mostram, ainda, que o programa reduz o mau colesterol e aumenta o bom. Quer dizer, foram derrubados vários mitos que suscitavam inseguranças sobre o regime.

Como então entender tantas críticas ao programa?
No começo, o método permitia que se comesse gordura à vontade, o que o levou a ser malvisto. Mas o conceito foi revisto e atualizado. Hoje em dia, o consumo da gordura trans - encontrada em vários alimentos industrializados como margarinas, biscoitos e bolos - está proibido. Os outros tipos (mono, poli e saturada) devem ser ingeridos diariamente com liberdade vigiada - o importante é que cada um deles correspondam a 1/3 do total de gorduras consumidas.

A proposta realmente enxuga as formas rapidamente?
Sim. A perda de peso inicial é muito maior que a do cardápio tradicional, em que se tem de contar calorias. Isso porque há uma queima maior de gordura.

O cardápio serve para todos?
A princípio, sim, mas o ideal é ter acompanhamento médico. Por exemplo, o hipertenso deve diminuir o sal do menu. Com a redução de peso, porém, a tendência é o organismo se estabilizar.

Quanto a abolir o carboidrato simples? Isso é definitivo?
Não. O menu contra-indica o consumo de carboidratos simples, como arroz branco e açúcar refinado, e orienta para a ingestão de macarrão, pão e arroz integrais. Mas pode-se combinar um carboidrato simples com alimentos ricos em fibras para que o conjunto funcione como um carboidrato completo. Por exemplo: 1 xíc. (chá) de arroz branco deve ser consumida com salada de folhas ou brócolis de forma que o organismo não absorva o alimento tão rapidamente. O ideal é optar, contudo, pelos carboidratos complexos gradativamente. Dessa maneira se evita reações adversas, como dor de cabeça, fraqueza, sonolência, dificuldade de concentração...

Na fase de indução, que dura 14 dias, o consumo de carboidratos fica reduzido a 20 g diárias. Não é pouco?
Isso mudou. Hoje pode-se ingerir 40 g por dia, o que representa 2 fatias de pão integral no café da manhã, 1 xíc. (chá) de arroz integral no almoço e outra no jantar. Em seguida essa quantia vai aumentando sem que a pessoa ganhe peso e, geralmente, estabiliza abaixo de 60 g diárias. Acredite: é suficiente.

É aconselhável exercitar-se nesse período?
Deve-se fazer atividade física o tempo todo. Na fase de indução, em que a entrada de carboidratos é muito menor, quanto mais a pessoa suar a camisa com exercícios, mais queimará gordura. Assim, minimiza-se os possíveis efeitos colaterais, como moleza e irritabilidade. Sem falar que a malhação libera endorfina e adrenalina, deixando o paciente com novo pique e ânimo para seguir o programa de emagrecimento.

 

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