Há pessoas que se apegam às coisas materiais. Sinceramente, eu não.
Pensando bem, existe um móvel lá em casa que marcou minha vida. Ou melhor,
uma boa parte dela. Percebi isso há poucos dias, quando estava arrumando
as malas para uma viagem. Sentei na cama e fiquei olhando para aquela
cômoda enorme, estilo império, que decora meu quarto. Passados uns 15
minutos e eu lá, estática, olhos grudados naquela peça antiga que me acompanha
há tantos anos.
Fantástica gaveta de chocolates
Durante muito tempo, eu me senti "escrava" da tal cômoda . Era exatamente
na gaveta do lado esquerdo, acionada por reluzentes puxadores dourados,
que eu guardava os "dispositivos hipercalóricos" que me anestesiavam numa
época de grandes tristezas - e "grandes medidas." Um dia difícil no trabalho?
Uma decepção amorosa? Apenas cansaço depois de uma hora de trânsito? Eu
já sabia muito bem onde encontrar conforto: no meu quarto, trancada em
meio a balas e chocolates que escondia sorrateiramente na gaveta do lado
esquerdo daquela "saborosa" cômoda. Caso estivesse enjoada de doces, pacotes
e mais pacotes de salgadinhos estavam lá, ao alcance da minha mão. Dá
para acreditar? Dá, porque todos nós conhecemos várias pessoas que já
fizeram ou ainda fazem isso.
Todas as vezes que tentei seguir uma dieta, eu esvaziei (com coragem
e determinação) aquela gaveta da minha cômoda. Pronto, lá estava o local
do crime sem nenhuma arma apontada para mim. Uma beleza!
Era uma forma de negar as tentações que me perseguiam. Só que ao chegar
em casa depois de uma tarde distraída com outros assuntos, não conseguia
evitar uma corrida até o aconchego do meu quarto atrás de algo para comer.
Eu sabia que o que estava sentindo não era fome real e sim emocional:
aquela que matamos com um, dois, três, quatro ou uma caixa inteira de
bombons - dependendo do dia. Quando encontrava a gaveta da cômoda VAZIA,
percorria cada canto da casa sofrendo muito com a abstinência e conseqüente
ansiedade sem as minhas guloseimas prediletas. Parecia que alguma força
invisível fazia com que me "empanturrasse" com tudo que encontrava no
meu caminho: desde bolo de fubá ou doce de banana, até pizza entregue
em casa... Um verdadeiro teatro de horror!
Tempo de frustração
Depois, tinha que encarar uma enorme frustração, um sentimento triste,
que nem de longe era compensado pela alegria instantânea trazida pelas
calorias consumidas pouco momentos antes.
Quando percebi que, realmente, precisava mudar de rumo, iniciei um diálogo
com aquele móvel imponente, com o qual negociei minha rendição, trocando
doces e salgadinhos por barrinhas de cereal light e chicletes sem açúcar.
Aos poucos, transferi a responsabilidade do móvel para uma pequena geladeira
ao lado dele, abastecida com minicenouras, fatias de pepino, tiras de
pimentão e pedaços de ricota apimentada (adoro pimenta!). Sem contar as
tiras de erva doce, que caem tão bem.
Tudo pronto para comer
Se você também tem um cantinho de guloseimas (ou gulodices?) em casa,
procure não negá-lo. Pare, no entanto, de abastecê-lo com tudo aquilo
que poderá vir a provocar arrependimento. Sei que não é fácil, mas não
custa tentar. Se você conseguir fazer uma substituição consciente dos
quitutes da gaveta, na hora de cometer um deslize (afinal, todos somos
humanas!) vai encontrar, feliz da vida, barrinhas de cereal no lugar de
"barronas" de chocolate.
"A
tentação faz o ladrão" diz o antigo ditado lusitano. Tire
as tentações da sua frente para não sabotar sua dieta
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Lucilia Diniz é autora do livro
O Prazer de Viver Light, que ensina o método usado por
ela mesma para emagrecer 60 kg |
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