
Para emagrecer é fundamental detectar as causas reais da obesidade ou do sobrepeso. Ou seja, aquilo que está por trás da situação, garimpando, inclusive (além das causas físicas, é claro), se a obesidade tem origem na depressão, na ansiedade ou em ambos. Só assim é possível atacar o problema fazendo o tratamento correto e evitando efeitos colaterais e danos permanentes à saúde. Veja agora as opiniões de Sergio Klepacz, médico psiquiatra com pós- graduação em psicofarmacologia, credenciado no Hospital Samaritano (São Paulo), onde clinica. Ele acredita que, além da ansiedade natural do paciente com sobrepeso, há uma disfunção hormonal que os acompanha. E que, se for possível equilibrar seus hormônios, vai ser bem mais simples e até mais saudável dar o pontapé inicial no emagrecimento.
A ingestão excessiva de carboidratos pode afetar o sistema emocional e psíquico?
Sim, principalmente nas mulheres em idade reprodutiva. Isto porque esse tipo de alimentação altera os níveis de insulina, que tem grande influência sobre os hormônios sexuais, um dos grandes responsáveis pelo equilíbrio psicológico e emocional.
De que forma a insulina influencia os hormônios sexuais?
Taxas elevadas de insulina causadas por excesso de ingestão de carboidratos, além de provocar obesidade, obrigam o organismo a produzir maior quantidade de testosterona em detrimento da progesterona e trazendo, como conseqüência, desequilíbrio emocional e psíquico. Daí para o estresse é um pulo. E estresse, todos sabemos, engorda...
Isso vale para homens e mulheres?
Por favor, explique como agem em um e outro.
Sim, mas vale dizer que as principais vítimas são as mulheres que estão em idade reprodutiva porque, nesses casos, ele ocorre em função de um aumento da testosterona e da diminuição da progesterona, um desbalanceamento freqüente nessa fase, dando origem à ansiedade.
É possível, através de uma dieta planejada, combater a ansiedade e a depressão?
Certamente. Alimentos de alto nível glicêmico, aqueles que desencadeiam taxas elevadas de insulina, como as farinhas brancas, milho e batata, provocam desbalanceamento hormonal com conseqüente aumento de ansiedade. Por sua vez, a ansiedade gera maior compulsão para a ingestão de carboidratos, desencadeando assim um círculo vicioso que promove (entre outros males) a obesidade.
O estresse também pode ocasionar obesidade?
Freqüentemente isso ocorre porque, sob a ação do estresse, liberamos mais intensamente um hormônio chamado cortisol, que é o nosso “poupador” natural de açúcar. Isto é, ele retém glicose no sangue e influencia os níveis da famosa serotonina que, quando baixos, provocam aumento do apetite.
Isso dificulta o início das dietas durante um período de estresse prolongado?
Claro que sim, pois dificilmente alguém que apresenta baixos níveis de serotonina consegue controlar o apetite. Naturalmente, o “conforto” da mesa farta se transforma em compensação do estresse.
É verdade que quem dorme mal tem maior tendência a engordar?
Sim, e isso se deve a uma razão muito simples: as pessoas que dormem um número insuficiente de horas ou têm sono de má qualidade são propensas a comer mais no dia seguinte. Isto acontece porque buscam uma outra forma de compensar a energia que deveria ter sido reposta no período do sono. E acabam encontrando na mesa.
Por que as drogas que prometem inibir o apetite têm efeitos opostos entre uma pessoa e outra. Elas podem causar ansiedade e depressão?
Na sua quase totalidade, esse tipo de droga atua no cérebro. Observo que existem duas espécies de pacientes com compulsão alimentar: o primeiro grupo é aquele carente de serotonina e, o segundo, em dopamina.
O que é serotonina? O que é dopamina?
Ambos são neurotransmissores fundamentais para o equilíbrio emocional. É por isso que, conforme falamos anteriormente, drogas ministradas para o perfil de paciente errado provocam efeito contrário.
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