Tudo Indica que uma restrição calórica muito, mas muito rígida mesmo, torne a expectativa de vida dos seres humanos bem maior. Ou seja, quem ingere quase nada, poderia chegar aos 120 anos, por enquanto... Veja o que já se sabe sobre este assunto, na interessante entrevista do Dr. Luís Fernando de Barros Correia, Clínico Geral e Chefe do Setor de Emergência do Hospital Samaritano do Rio de Janeiro. Um expert no assunto emagrecimento.
A limitação de calorias, ou em bom português, comer bem pouco, é um dos caminhos para que as pessoas se mantenham jovens mais tempo?
Uma das mais promissoras - e também controversas - pesquisas sobre a longevidade baseia-se na teoria da restrição calórica. Estudos com animais e insetos demonstraram que as cobaias submetidas a uma dieta reduzida chegaram a viver 40% mais que seus semelhantes alimentados normalmente. De acordo com uma das teses mais aceitas pelos especialistas, isso acontece porque o corpo, quando mal alimentado, fica em um estado permanente de estresse moderado. Com isso, torna-se resistente ao estresse severo, que promove o envelhecimento das células. É um princípio parecido com o das vacinas, que expõem o organismo ao perigo que se pretende prevenir. Porém, segundo alguns cientistas, essa teoria tem dois problemas fundamentais: o primeiro é que a restrição calórica nunca foi testada em seres humanos. O segundo é que ninguém suportaria viver com a quantidade necessária para obter estes resultados mais do que alguns meses.
Que tipo de restrição calórica?
A limitação testada nas pesquisas com roedores foi 25% do total de calorias ingeridas por dia. A principal dificuldade: este tipo de diminuição deveria ser mantida por pelo menos seis meses. O Instituto de Saúde do governo norte-americano divulgou, através da edição de abril da revista JAMA, o lançamento de um estudo em humanos a partir do outono de 2006. Esse trabalho envolverá 27 centros de pesquisa americanos.
Pessoas magras vivem mais do que as gordas?
Seja pela descoberta de remédios milagrosos, pela simples mudança no estilo de vida ou pelos avanços da Medicina, a verdade é que a humanidade está vivendo mais e melhor. A fórmula da vida longa é, de fato, uma mistura de herança genética com hábitos saudáveis. Para quem não quer contar apenas com a loteria dos genes, recomenda-se adotar um estilo de viver mais equilibrado, desde a juventude.
Existem outros formas de terapias ou drogas que alongam a vida?
Não há terapias específicas para o prolongamento do tempo de vida. Os cuidados de prevenção já definidos pelas organizações internacionais podem levar à diminuição da ocorrência de doenças cardiovasculares e as diversas espécies de câncer, o que aumenta a longevidade. Isso já é significativo.
Quais os alimentos que poderiam ser considerados "assassinos"?
Os inimigos da saúde são aqueles que provocam o envelhecimento das artérias e que elevam o nível de colesterol, como frituras, molhos com muita gordura e algumas carnes muito gordurosas. Outro ingrediente proibido na mesa de quem não quer ver o tempo passar depressa é o bacon. Alguns especialistas em nutrição costumam somar de 3,8 a 5,7 anos à idade real de quem ingere calorias vazias (açúcar branco, gordura animal, etc.). Ou seja, quem se alimenta mal, envelhece esse número de anos. O ideal é ter um cardápio balanceado.
Quais os alimentos indicados para aumentar a expectativa de vida?
A dieta da juventude segue basicamente a reeducação alimentar tradicional, que permite ingerir um pouco de quase tudo. O segredo na escolha dos alimentos que freiam esse processo é basicamente preferir produtos ricos em nutrientes e com baixas calorias. São recomendadas, por exemplo, quatro porções de frutas diariamente.
Quanto tempo a mais?
As pesquisas revelam que as fibras, vitaminas e antioxidantes aumentam a sobrevida em até quatro anos. Cinco cotas diárias, no mínimo, de hortaliças também entram no cardápio, pois contêm vitaminas e minerais que garantem até seis anos a menos. Outra dica: todas as manhãs, cereais e, cinco vezes por semana, 30 gramas de nozes no jantar, em vez de proteína animal. No entanto, as carnes vermelhas de cortes magros também merecem destaque. Estudos mostram que milhões de mulheres têm deficiência de ferro. E a carne é uma das melhores fontes desse mineral e do zinco, que atuam no aproveitamento de energia pelos músculos e na recuperação de tecidos danificados, respectivamente.
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