Dieta Já!
Edição 122 - Setembro/2006
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  Psicanálise e emagrecimento
Como a psicanálise pode ajudar as pessoas que já tentaram várias dietas e não conseguem emagrecer? Conheça a opinião de Leonel Braga Neto, psicanalista, especialista em obesidade

por Laïs de Castro

FOTO: SÍMBOLO IMAGENSComo o problema da perda de peso chega aos consultórios dos psicanalistas?
Sob diversas formas. A principal é como queixa e desgosto com o próprio corpo. No entanto, há diferentes maneiras de insatisfação: há a reclamação (básica) sobre a dificuldade de sustentar um projeto de mudanças (regimes, exercícios físicos, etc.) ou, ainda, uma relação de repugnância ou excesso com a alimentação (distúrbios como bulimia, anorexia e compulsão).

Como isso acontece?
O mais comum é encontrarmos pessoas com dificuldade de fazer ou manter um regime que aproxime o corpo que elas têm daquele que desejam ter. Entre um e outro há o corpo que é possível ter e é essa forma física que precisa ser encontrada. Quanto mais elas almejam um corpo ideal, mais distante ficam de qualquer transformação efetiva.

O trabalho psíquico vai ser descobrir o que desejam mudar e por que. Daí, emagrecer terá o sentido e o tamanho verdadeiros e a tarefa será bem mais fácil do que se imagina.

O que fazer para manter uma dieta que leve à perda de peso?
É comum escutar dos indivíduos que fazer dieta é difícil e manter-se magro mais ainda. Falam disso como sendo uma exigência que vem de fora para dentro: é algo que devem, mas não querem fazer. Então, por que fazer? Se emagrecer faz sentido para a própria pessoa ela vai conseguir encontrar a forma de manter a restrição alimentar e vai saber porque está interrompendo esse processo em determinado momento. Se for para atender exigências externas, a tendência é o fracasso ou o sucesso provisório. Como dizem por aí: "A verdadeira dieta começa na cabeça".

Em que momento a comida vira uma compulsão?
Quando a dieta está no lugar de outra coisa que a pessoa não pode enfrentar, e a desloca para o consumo de alimentos de maneira compulsiva. Nesses momentos, é melhor prestar atenção em vez de insistir na substituição esfarrapada.

Que tipo de pessoas podem se beneficiar da psicanálise para emagrecer?
Todas aquelas para quem emagrecer virou um problema gerador de angústia, desde aquela sutil e silenciosa até a produtora de distúrbios alimentares.

Como a terapia pode auxiliar essas pessoas?
Separando o 'joio do trigo', ou seja, mapeando o que impede a realização de um projeto (emagrecer, por exemplo) e gera ansiedade. Isto é feito a partir de entrevistas preliminares onde a pessoa conta sua história. Ao fazer isso ela se surpreende e lembra de fatos e situações que não estavam acessíveis em sua memória e que têm relação direta com as dificuldades que enfrenta. A escuta atenta do analista localiza os nós amarrados daquela narrativa singular. Falar (e ser escutado) substitui, em alguns casos, o comer (excessivo).

Quanto tempo dura um trabalho desse tipo?
R.: Depende. Para alguns, é suficiente localizar a dificuldade e o caminho por onde enfrentá-la. Para outros as entrevistas iniciais abrem portas para o autoconhecimento. Mas, geralmente, três ou quatro entrevistas definem qual direção seguir.

 

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