Dieta Já!
Edição 126 - Outubro/2006
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  Gorduras e gorduras
Uma vilã está oculta em irresistíveis delícias e atende pelo nome de gordura trans. Depois de conhecer os efeitos da substância no organismo, você vai pensar duas vezes antes de cair em tentação e devorar suas guloseimas preferidas

por Lucília Diniz

Bolachas, sorvetes, salgadinhos, pipoca de microondas, donuts... Só de pensar dá água na boca, não é? Mas, além das calorias, um outro inimigo, escondido dentro destas terríveis delícias andou aparecendo no noticiário tanto quanto os políticos nas recentes campanhas eleitorais: trata-se da tal gordura trans. Esse inimigo, usado desde os anos 80 para manter a consistência, realçar o sabor e prolongar a vida útil de massas, margarinas, molhos de saladas, e, até das, aparentemente, inofensivas bolachas de água e sal e cream crackers (mais os produtos que falamos lá em cima) era conhecido por outro nome: gordura vegetal parcialmente hidrogenada. Difícil de lembrar, ela substituiu rapidamente a gordura sólida e os óleos líquidos naturais e passou batida por mais de 20 anos sem que nenhum estudo realmente sério sobre seus efeitos fosse realizado. Mas, nos últimos seis por Lucília Diniz anos, pesquisadores da Universidade Wake Forest, nos Estados Unidos, comandados pelo professor Lawrence Rudel, levaram à berlinda a danada. E descobriram que as cobaias alimentadas com calorias provenientes de gordura trans engordaram 4% a mais do que as que foram alimentadas com ácidos graxos monoinsaturados, mais saudáveis, presentes em óleo de canola, azeite de oliva, óleo de amendoim, amêndoas e nozes.

Ela matou por duas décadas!
O pior de tudo: como nos humanos, o aumento da gordura trans está ligado à resistência à insulina e ao aumento das taxas de glicose no sangue. O que ainda não está ainda cientificamente comprovado é se ela também é a responsável pela chamada “barriga de chope” — pessoas que parecem engordar só no abdômen (as cobaias também tiveram aumento da gordura abdominal). O que se sabe, enfim, é que estes dois sinalizadores são responsáveis pelo aumento dos riscos de diabetes, infarto e derrame.

FOTOS: SÍMBOLO IMAGENS
Sorvetes de massa, bolachas recheadas, pipoca de microndas... Nãooooo!

Assusta, não? Mas, gente informada é gente que sabe se cuidar melhor. Estou falando disso porque, após a enxurrada de críticas e esclarecimentos em jornais, revistas e TVs, a indústria de alimentos se mobilizou rapidinho para encontrar algo que substituísse a tal hidrogenada em seus produtos. Claro que houve um empurrão do Governo Federal: desde agosto do ano passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) baixou uma portaria obrigando os fabricantes a imprimir nos rótulos o percentual de gordura trans contida nos alimentos.

A obrigação de cada um de nós, agora, é deixar a preguiça de lado e ler os números miúdos que acompanham seu pacote de bolacha preferido.

Duvide-o-dó que você vai atacar com a mesma gula as delícias das prateleiras sabendo que aquilo é uma bomba programada para detonar seu corpo a médio e longo prazo. Bom lembrar que a gordura trans também existe na natureza — carnes, leite e derivados — mas em quantidades mínimas. Isso leva a outra pergunta: quanto da substância você pode ingerir por dia? Embora a Organização Mundial de Saúde recomende que não ultrapasse 1% do valor calórico da dieta, os nutricionistas não conseguem ser tão precisos e dizem que o melhor é reduzir ao mínimo possível.

Para você entender quanto é esse mínimo basta lembrar que 100 g de biscoitos recheados têm 2 g de gordura trans e uma porção média de batata frita comprada em fast-food tem 8 g! Melhor parar de falar por aqui!

E parar de comer gordura trans também, com a maior urgência!

Lucilia Diniz é autora do livro O Prazer de Viver Light, que ensina o método usado por ela mesma para emagrecer 60 kg

 

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