O respeitado médico ginecologista e obstetra de São Paulo, José Bento, explica tudo sobre metabolismo lento, aumento de massa gorda e diminuição de massa magra (músculos) que começa a partir dos 40 anos. Saiba como evitar isso e encarar essa fase da melhor maneira possível
Em que idade começa o climatério e o que acontece?
O climatério é dividido em perimenopausa, menopausa e pós-menopausa e começa por volta dos 40 anos. É o período de transição da etapa reprodutiva para a não reprodutiva da mulher, quando começa a declinar o funcionamento dos ovários e a produção hormonal. Isso causa uma série de sintomas físicos e emocionais, como ondas de calor (fogachos, 70% das mulheres têm), depressão, fadiga, ressecamento vaginal, queda da libido, dores musculares e na relação sexual, osteoporose, alterações na qualidade do sono. Nesse momento da vida, a mulher tem mais dificuldade em manter o seu peso. Teoricamente existe um aumento da massa gorda e uma diminuição da massa magra, por que o metabolismo passa a ser mais lento.
A reposição hormonal elimina todos os problemas?
Estudos demonstram que a terapêutica hormonal alivia efetivamente todos os sintomas do climatério como ondas de calor (fogachos), insônia, irritabilidade, depressão e distúrbios relacionados aos órgãos genitais (ressecamento vaginal, prurido vulvar e incontinência urinária, entre outros), proporcionando melhor qualidade de vida às mulheres. Atualmente, não existem muitas contra-indicações à terapia hormonal na pós-menopausa, já que são muitos os benefícios em relação aos riscos. As contra-indicações podem ser relativas ou absolutas e, estas últimas, constituem as pacientes com câncer de mama e do endométrio, as portadoras de meningioma e melanoma, as que apresentaram quadros de trombose enquanto tomavam contraceptivo hormonal oral ou de hormônios na pós-menopausa, de doença hepática ou renal aguda, insuficiência de fígado, hipertensão arterial severa e diabete mellitus descompensado.
E os estrogênios naturais?
São idênticos aos produzidos pelo organismo feminino, mas feitos em laboratório. Esse é o caso dos hormônios estradiol, estrona e estriol e seus ésteres (valerato de estradiol). Os progestagênios foram inseridos na terapêutica para proteger o endométrio (revestimento interno do útero). As pesquisas indicam que o uso desses hormônios podem piorar alguns sintomas da menopausa tais como irritação, depressão, aumento do peso e retenção de líquidos. Outro fato é que alguns progestagênios podem neutralizar o efeito positivo do estrogênio em alguns órgãos e sistemas, por exemplo, sobre os vasos sangüíneos, e aumentar os riscos de câncer de mama. Por isso, é importante que a associação escolhida para a terapia hormonal seja feita por um médico especializado.
Os hormônios masculinos podem ajudar?
O androgênio (hormônio masculino) derivado da testosterona natural tem boas possibilidades de ser adotado com maior freqüência para a terapia hormonal, principalmente para manter a massa muscular e a libido. Por sua vez, a tibolona e o cloridrato de raloxifeno podem ser usados em mulheres que necessitem de reposição hormonal, mas que apresentem um histórico importante para câncer de mama.
É verdade que a gordura dessa fase se acumula no tronco e no abdômen e é ainda pior para a saúde?
Sim. Um pesquisador chamado Rebuffé-Scrive, em 1986, demonstrou a ação dos hormônios sexuais na atividade da lipase lipoprotéica (quebra de gordura) em diferentes regiões do corpo. Na menopausa não aumentou o depósito de gordura nas regiões do bumbum e dos seios, mas, sim, no abdômen. Este e outros estudos sugerem, fortemente, que pela queda dos níveis dos esteróides sexuais no climatério, diminui a quebra de gordura no abdômen e na região glútea. A composição corporal na mulher, a partir dos 40 anos, sofre aumento de massa gorda de 5 a 10% (1,5 a 2,5 kg), por década e diminuição de massa magra de 2,5% (1 a 1,5 kg), por década.
A perda de fertilidade causa problemas também para os homens?
A diferença marcante entre o climatério feminino e o masculino é que, ao contrário das mulheres, os homens não perdem a fertilidade. Mas os sintomas de depressão, irritabilidade e falta de libido são os mesmos. A perda de fertilidade feminina não causa problemas, só é um indício real da chegada da falência ovariana.
Quais os melhores alimentos para o corpo na menopausa?
Por volta dos 50 anos, as mulheres devem ter cuidado com o excesso de peso. Elas também devem suprir a falta de cálcio causada pela redução do hormônio estrógeno. A dieta deve conter alimentos ricos em cálcio (como derivados do leite) e pobres em sódio (ou seja, com pouco sal). Outra boa dica é procurar produtos derivados da soja e de grãos como a lentilha e o feijão, que têm eficácia comprovada no combate aos sintomas da menopausa. Como a perda de ferro diminui com o fim da menstruação, as mulheres com mais de 50 anos também podem reduzir a ingestão de carnes vermelhas, assim como dos embutidos. E, como sempre, consumir frutas e verduras.
Os líquidos são indicados?
Claro! Entre eles o ban-chá ou chá verde que é excelente no combate aos radicais livres e pelo seu efeito antioxidante. Devem ser tomados entre as refeições.
Existem restrições alimentares no climatério ou menopausa?
Os produtos ricos em gordura saturada (animal), bebidas alcoólicas e hipercalóricas como os açúcares devem ser evitados, para manutenção do peso e até mesmo pela baixa qualidade dos mesmos.
Há algo novo para quem está nessa fase e precisa de dieta?
A mais importante para quem precisa de dieta é que foi descoberto um substituto altamente protéico e light para o chocolate, que é a alfarroba. Enquanto o cacau tem até 23% de gordura e 5% de açúcar, a alfarroba possui 0,7% de gordura e alto teor de açúcares naturais (sucrose, glucose e frutose), de 38 a 45%. Outra vantagem em relação ao cacau é que o alfarroba não contém cafeína nem teobromina, dois fortes estimulantes do sistema nervoso e do ritmo cardíaco, que são inclusive transmitidos aos bebês através do leite materno. E, em certas pessoas, a teobromina desencadeia reações alérgicas visíveis. O cacau contém também feniletilamina, um composto que pode provocar enxaquecas e reações alérgicas. Substitua o chocolate tradicional pela alfarroba.