A obesidade preocupa e tira o sono de muita gente por causa do impacto que tem na saúde e no convívio social das pessoas. Ela facilita o surgimento de doenças como hipertensão e diabetes, prejudicando a qualidade de vida e encurtando os anos vividos. E o que é pior: não pára de crescer, sendo considerada a epidemia do século. “Cerca de 40% da população do País está com sobrepeso e este número sobe a passos largos, já que ela é uma doença multifatorial que se dá por meio de alterações hormonais, genéticas e ambientais”, explica a psicóloga Marlene Monteiro da Silva, coordenadora do Curso de Transtorno Alimentar e Obesidade do Hospital das Clínicas, (SP). Apenas 2% dos obesos tem sobrepeso devido ao fator genético e o restante está relacionado aos hábitos nada saudáveis como sedentarismo, aumento do consumo de gordura, depressão e estresse. “Antigamente as pessoas eram tratadas apenas com dieta alimentar. Hoje, tudo mudou, pois já se sabe que apenas fazer regime não resolve nada para quem tem depressão”, afirma o médico psiquiatra José Rui Bianchi, autor do livro Emagrecer também é marketing, da DVS Editora. Os tipos de obesidade mais comuns são: nutricional, comportamental ou psicológica. Conheça cada um:
Nutricional: cuidado com o prato
Neste caso, as pessoas ingerem alimentos sem valor nutricional adequado, exagerando na quantidade e nas calorias. Por isso, engordam além da conta. “Geralmente elas consomem grandes porções de gordura, carboidratos, proteínas e poucos legumes verduras e frutas”, explica Bianchi. Os maus hábitos podem ser plantados na infância e levados como triste bagagem para o resto da vida. Isso porque as crianças – e boa parte dos adultos — gostam mais de guloseimas e doces do que de verduras, frutas e legumes. “Ela é uma das mais preocupantes a longo prazo porque leva ao acúmulo de colesterol e triglicérides no organismo. Todos sabem que eles trazem o risco de vários males cardiorrespiratórios”, esclarece o especialista. Diagnóstico: quem detecta são os nutricionistas ou endocrinologistas nos exames solicitados durante a consulta. “Detalhes sobre a alimentação das pessoas, logo faz com que peçam os exames”, diz o médico. Tratamento: é feito através de reeducação alimentar, ensinando a comer corretamente, nas horas certas e sem abolir nenhum nutriente.
Psicológica: não desconte tudo na comida!
Pessoas ansiosas, depressivas e estressadas que se sentem sozinhas, rejeitadas, que têm uma paixão não correspondida, perdas ou qualquer conflito emocional são as mais propensas a desenvolver a obesidade psicológica. “Elas encontram no alimento uma forma de aliviar a dor e devoram tudo por compensação”, alerta Marlene. Com o passar do tempo perdem o controle do que comem, ou melhor, nem percebem porque devoram tudo que vêem pela frente, engordando sem perceber. Não apenas isso está por trás deste tipo de obesidade. Em situações de estresse, por exemplo, o corpo secreta um hormônio chamado cortisol, que libera aminoácidos do músculo, levando-os até o fígado, onde os transforma em açúcar e, posteriormente, em gordura. Em paralelo, a pessoa retém líquidos e acumula massa gorda, principalmente na região do abdômen. “É por isso que muita gente não come quase nada e, mesmo assim, engorda: o organismo já está totalmente desregulado”, ressalta Bianchi. Diagnóstico: é feito através de consulta com psiquiatra ou psicólogo. Tratamento: envolve reeducação alimentar com baixo valor calórico, hábitos saudáveis e acompanhamento com um psicólogo ou psiquiatra.
Comportamental: mude seus hábitos, agora!
Essa obesidade surge por causa do estilo de vida. Acomete pessoas sedentárias, quem come depressa, de pé, andando ou não mastiga direito. Há, ainda, aquelas que acreditam em crenças absolutamente superadas, como: “na churrascaria tenho que comer muito para não ter prejuízo”; “estou grávida e preciso me alimentar por dois”; “como a diária do hotel inclui pensão completa, tenho que devorar tudo o que tenho direito”, entre outras bobagens. O problema é que quando estas pessoas caem na real, o organismo já acostumou com a abundância. “Quem comeu ‘por dois’ durante a gestação, dificilmente consegue diminuir a quantidade após o nascimento do bebê”, adverte Marlene. Diagnóstico: é o mais difícil porque depende de uma investigação comportamental minuciosa do endocrinologista para saber porque a doença se instalou. Tratamento: além de reeducar o organismo, é preciso rever os hábitos alimentares. O acompanhamento é feito com nutricionista, psicólogo e professor de educação física.
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MAIS DE 80% DAS PESSOAS
são obesas por causa da modernidade
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