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Cistos em questão Aumento de peso, pele oleosa, queda de cabelo, aparecimento de pêlos no corpo, menstruação irregular e infertilidade são sinais de que você pode ter a Síndrome dos Ovários Policísticos. Mas não se alarme: tratamentos específicos driblam o problema
POR JANETE TIR
Da primeira menstruação até a menopausa, os ovários liberam mensalmente os óvulos que vão para o útero. Daí, acontece a menstruação ou, se eles encontrarem um espermatozóide nas trompas, a fecundação. Para que isso ocorra é preciso ter uma sintonia fina entre vários hormônios que circulam pelo organismo. Mas, às vezes, a engrenagem metabólica pode ter pequenas falhas e o óvulo, em lugar de seguir o seu curso normal, fica preso numa “bolhinha” na parede do ovário, formando um ou vários cistos. Quando esta situação é freqüente e, ainda, aparecem outros sinais como menstruação irregular, pêlos pelo corpo, aumento de peso, pele oleosa e infertilidade, os especialistas são unânimes na conclusão: é a temída Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP).
Este problema, que atinge 20% das mulheres, é diagnosticado com exames de ultra-som e pode, sim, levar a um excesso de peso. Por outro lado, aqueles nem tão inocentes quilinhos a mais também podem se tornar o fator decisivo para a formação de vários cistos no ovário. Complicado? Nem tanto, segundo Dolores Pardini, endocrinologista e professora da Escola Paulista de Medicina. “Há 20 anos, ovário policístico era sinônimo de obesidade. Mas estudos revelaram que esta síndrome pode acontecer também na mulher magra que se comporta metabolicamente como obesa. E, na que é obesa, o quadro pode ser agravado com a associação de diabetes mellitus. O desequilíbrio hormonal gera os cistos no ovário, com conseqüente aumento de peso, o que pode desencadear ou agravar a síndrome pré-existente”, diz.
“Algumas mulheres têm uma resistência periférica aumentada à ação da insulina no tecido gorduroso. Elas não são diabéticas, mas, às vezes, é preciso até usar remédios para diabetes para controlar a situação. Também, é fundamental uma dieta balanceada e atividades físicas regulares”, explica a ginecologista Ana Paula Junqueira Santiago.
Além dos quilos extras, a doença é responsável por um “aumento de oleosidade na pele, o que pode provocar o aparecimento de acne, pêlos no rosto e queda de cabelo”, enfatiza a nutricionista Tânia Regina Bonetti, que também enfrenta o problema. Ela só encontrou solução equilibrando a alimentação e fazendo exercícios. “Quando passo um tempo sem ir à academia, apesar de tomar medicamentos para controlar a insulina e balancear a comida, já sinto os sintomas voltarem”, afirma.
Às suas pacientes, que também seguem um controle mensal com o médico, a nutricionista aconselha a dieta que ela mesma segue à risca. Ela recomenda:
1. Evitar cardápios ricos em gordura, principalmente as de origem animal que, além de engordar, elevam os números do colesterol no sangue;
2. Reduzir a ingestão de alimentos ricos em carboidratos refinados, como massas, pães, bolos, açúcares, refrigerantes tradicionais, doces em geral, dando preferência ao consumo de produtos integrais;
3. Tirar de vez do menu diário as frituras, o excesso de óleo e os alimentos prontos, que só servem para acrescentar peso e oleosidade à pele;
4. Ingerir alimentos ricos em vitamina C, como frutas, verduras cruas e legumes, e em vitamina E, encontrada em óleos vegetais, nozes e amêndoas;
5. As refeições devem ser pouco volumosas e várias vezes ao dia (café da manhã, almoço e jantar, com pequenos lanches intermediários), para não ficar sem comer por mais de 3 horas;
6. Não se esqueça de reduzir o consumo de sal e as bebidas alcoólicas. A dieta e os exercícios são uma recomendação e tanto, mas também é preciso ir ao médico para controlar a síndrome. “Normalmente são indicados anticoncepcionais para regular a menstruação e dar um descanso aos ovários, medicamentos para controlar a resistência à insulina e antiandrogênicos que vão inibir o aparecimento de pêlos (hirsutismo) no rosto, nos seios e na barriga. E para quem quer engravidar são receitados remédios que estimulam a ovulação”, conclui a ginecologista.
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