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Diabetes a cura mais próxima! Com as novas experiências em cirurgia, não apenas para obesos mórbidos, mas para pessoas com sobrepeso (que representam cerca de 1/3 dos pacientes com diabetes tipo 2), a doença está sendo domada. E as intervenções podem controlar e até ajudar a reverter este mal que acomete 180 milhões de pessoas
POR FABIANA GONÇALVES
A primeira vez que se observou que uma operação antiobesidade poderia reverter o diabetes tipo 2 foi em 1985, ou seja, há mais de duas décadas. De lá para cá, inúmeros estudos foram realizados. Com a evolução, tanto das técnicas como (infelizmente) do número de pessoas no mundo com a doença, os especialistas começaram a cuidar do mal por meio da cirurgia, focando só para pessoas com IMC acima de 40. “A diminuição do peso auxiliava o paciente a controlar a taxa de glicose no sangue logo nos primeiros dias após a intervenção. A grande vantagem é que poucos meses depois, cerca de 60% deles já não precisavam mais utilizar insulina ou outros remédios. Em menos de um ano o procedimento conseguia reverter ou controlar entre 80% e 90% do diabetes, eliminando o consumo de todos os medicamentos para o problema”, afirma José Carlos Pareja, chefe do Serviço de Cirurgia de Obesidade da Unicamp, Universidade de Campinas, (SP).
Mais do que uma esperança
Segundo o especialista, num primeiro momento, os médicos imaginavam que isso ocorria em função do emagrecimento, mas eles logo perceberam que a taxa de glicemia caía antes mesmo que houvesse uma grande perda de peso. Em alguns casos, já no pós-operatório; assim, decidiram investir em novas pesquisas. “Além de reduzir em 95% o tamanho do estômago dos pacientes com IMC acima de 40, esse tipo de cirurgia faz um desvio para o alimento, evitando que ele passe pela primeira parte do intestino. Descobriu-se, a partir daí, que, por causa dessa mudança, acontece o aumento de uma substância chamada GLP-1, que estimula o pâncreas a produzir mais insulina, até então produzida insuficientemente”, esclarece o endocrinologista Bruno Geloneze, de Campinas (SP), pesquisador nas áreas de Diabetes e Obesidade e Presidente do Congresso de Diabetes 2007.
Para que você entenda melhor, é bom lembrar que a glicemia representa a quantidade de açúcar que circula no sangue. O limite normal vai até 110 mg/dl. Entre esta taxa e 126 mg/dl considera-se um estado pré-diabético. Acima disso, a medida indica a presença da doença. Nestes casos, a insulina fabricada pelo corpo não é suficiente para promover o aproveitamento da glicose (o combustível humano) pelas células: isso caracteriza o diabetes.
A princípio, pode soar estranho a utilização da cirurgia no tratamento da enfermidade. Mas ela é uma nova estratégia para pacientes menos gordos. A indicação deve ser feita por um endocrinologista e segue uma lógica científica. “Durante a operação, abrevia-se o caminho entre o estômago e o intestino. A meta é evitar que o alimento passe pelo duodeno e pelo jejuno (porção inicial do intestino delgado), jogando-o diretamente na parte final do órgão, o íleo. Ali ocorre a produção do hormônio GLP-1, o mais importante componente do grupo das incretinas, substâncias fabricadas logo após a alimentação para estimular a produção de insulina”, explica o cirurgião José Carlos Pareja .
Apesar de o GLP-1 ser antigo conhecido da medicina, descobertas recentes sobre a sua ação, tornaram-no um dos principais alvos da indústria farmacêutica. “Ele aumenta a quantidade e incrementa a eficácia da insulina, retardando a passagem da comida pelo íleo. Nos diabéticos tipo 2, os níveis dessa substância são muito baixos”, complementa o profissional.
Controle sem remédios
A cirurgia, como observaram os médicos, é uma das maneiras de aumentar a produção do GLP-1 e, conseqüentemente, viabilizar o controle do diabetes. Por isso, já era um recurso usado para enfrentar a doença em obesos mórbidos. “Para os que têm apenas sobrepeso (IMC menor que 30) a técnica ainda é experimental e adotada só quando o mal não regride com tratamentos convencionais”, afirma Ricardo Cohen, cirurgião de Obesidade e do Aparelho Digestivo do Hospital São Camilo (SP).
Recentemente, por exemplo, uma equipe de pesquisadores da Unicamp, da qual o cirurgião José Carlos Pareja faz parte, deu início a um estudo com 12 pacientes com sobrepeso e taxas de glicemia elevadas. “Os resultados são animadores. Duas pessoas deixaram de tomar insulina, embora ainda usem outros remédios para o diabetes”, conta o cirurgião. Os dados conclusivos devem ser divulgados ainda no primeiro semestre deste ano.
| cirurgia sofre modificações |
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Embora a técnica de redução de estômago para o controle de diabetes tipo 2 em pacientes com IMC menor que 30 seja inédito (não reduz o tamanho do estômago), ela ainda está em fase de estudos pela Unicamp (SP)
Para ser aplicado em pessoas menos gordas, o método sofreu modificações. Em vez de reduzir o tamanho do estômago, como ocorre no caso dos obesos mórbidos, os médicos encurtam o trajeto entre o órgão e o intestino. Por isso, o procedimento reduz muito pouco o apetite. Em geral, há um emagrecimento de, no máximo, 5%. “Esta perda de peso pode ser provocada pelo próprio pós-operatório, pois de um modo geral, nestes momentos come-se bem menos. A cirurgia aumenta a produção das incretinas no organismo, o que diminui a fome, mas a alteração é pequena”, alerta o endocrinologista Bruno Geloneze.
“Quando o diabetes responde mal ao tratamento clássico (remédios e insulina), com o tempo, a enfermidade descontrolada pode levar a sérias complicações. O novo método cirúrgico melhora ou, em alguns casos pesquisados, até reverte o problema, o que faz com que o paciente leve uma vida normal”, finaliza José Carlos Pareja.
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| REPRODUÇÃO DA ILUSTRAÇÃO CEDIDA PELO CIRURGIÃO DE OBESIDADE JOSÉ CARLOS PAREJA |
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