A manteiga, nos últimos anos, passou de mocinha a bandida, sendo trocada pela margarina, que até então era supersaudável. De 94 para cá, a margarina passou a ser investigada minuciosamente e chegou-se à conclusão de que a matéria- prima da danadinha, a gordura vegetal hidrogenada, é prejudicial à saúde. Isso porque ela esconde uma gordura criada artificialmente: a terrível trans. Presente em inúmeros produtos industrializados, ela é a responsável pela consistência, cremosidade e crocância de alimentos como biscoitos recheados, croissants, bolos e tortas, sorvetes, batata frita, sanduíches de lanchonetes, etc. Feita de óleos vegetais, ela não tem o temido colesterol dos produtos de origem animal, como a manteiga. No entanto, é mais nociva que a saturada (presente na gordura gordura animal e em menor quantidade em alguns alimentos de origem vegetal), pois tem maior facilidade para se depositar na parede das artérias e, conseqüentemente, criar as placas que podem levar à arteriosclerose.
De óleo para gordura
Para que você entenda melhor é bom saber que, para transformar óleos vegetais em gordura sólida, usa-se um processo químico chamado hidrogenação, que embute hidrogênio nas moléculas do óleo. Isso gera gordura trans que diminui o bom colesterol do sangue e aumenta o mau. E ainda – segundo uma pesquisa da Universidade de Wake Forest, nos Estados Unidos – produz a gordura visceral (abdômen) – aquela considerada muito perigosa para a saúde, que se instala entre os órgãos e fica alojada na barriga. “Entre os males associados à gordura abdominal estão o diabetes, a hipertensão, colesterol ruim e triglicérides altos – todos fatores de risco para as cardiopatias. Esse conjunto de elementos é denominado Síndrome Metabólica”, afirma a nutricionista Miriam Topein Ghorayeb, de São Paulo.
Um estudo publicado recentementena revista científica New England Journal of Medicine constatou que consumir 5 g de gordura trans por dia pode aumentar em até 25% o risco cardíaco. Por isso, ela é motivo de ameaça para doenças como o Acidente Vascular Cerebral (AVC) e o infarto.
Novos ingredientes
Segundo as indústrias, os novos cremes vegetais passam por um processo chamado de interestificação e não contêm mais gordura trans. Outros produtos já são fabricados a partir de óleo de palma ou de girassol, ingredientes que não precisam ser hidrogenados para atingir o estado sólido e, portanto, são livres da perigosa substância.
Uma outra questão em pauta: a gordura saturada nestes óleos é de cerca de 50%. Só para se ter idéia, o óleo de coco, embora seja de origem vegetal, tem 95% de gordura saturada e o óleo de dendê, a metade, 50%.
“Esse lipídio também é produzido quando se frita algo em óleo vegetal. Logo, quanto mais ele é aquecido, mais saturado é. O fígado processa esta gordura e produz o perigoso colesterol”, alerta o nutrólogo Edson Credídio, da Abran - Associação Brasileira de Nutrologia.
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