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Moqueca de peixe: cuidado! |
Você conhece aquele tipo “Coitadinho de mim”? Falo de pessoas que reclamam de tudo. Como se os anjos não tivessem mais nada de interessante para fazer além de conspirar contra elas. Certamente você conhece alguém que se enquadra nesse perfil.
Tipos assim nunca assumem qualquer responsabilidade pelo que dá errado. Acham melhor jogar a culpa no mundo, no destino ou em qualquer outra coisa. Ou, o que é pior, nos outros. Querem exemplos? Há aqueles que reclamam que a calça não fecha, mas não páram de comer. É mais fácil xingar o tintureiro que encolheu a roupa. Há também aquelas que vão comprar biquínis mas nenhum fica bom. Ora, o culpado é só o fabricante!
A gula à beira da estrada
Tinha uma amiga que sempre reclamava de não conseguir viajar nos fins de semana. Era dona de uma casa na praia onde passava, no máximo, 10 dias por ano. Toda sexta-feira ela lembrava que deveria fazer algo “inadiável” no sábado pela manhã. Tudo absolutamente adiável.
De tanto eu insistir, uma vez ela decidiu viajar. Voltou no domingo com a cara mais abatida do que batatas ao murro. “O que aconteceu?” – perguntei. Ela veio com aquele papinho de que nunca viaja..., e quando viaja fica doente. Acabei descobrindo que minha amiga, na ida, havia parado num restaurante de estrada onde encarou uma moqueca puxada no dendê e no leite de coco. Passou o final de semana inteiro entre a cama e o banheiro, prostrada. Acha que eu tive pena dela? Não. Achei bem feito. Deu a lógica: lavei as minhas mãos e esqueci o assunto para sempre.
O pecado dos peixes
Lembrei agora da história de dois executivos de vendas que foram pescar no Pantanal. O aviãozinho fretado os deixou numa planície e voltou mais tarde para pegá-los. Assim que pousou, o piloto avistou os dois “caboclos” acenando orgulhosos, com dois pirarucus enormes. A pescaria fora um sucesso. O piloto disse que aquele avião não agüentaria voltar com os dois, mais os “peixões”, para Corumbá. Estavam com excesso de peso. Os dois tipos urbanos – mexeram com a vaidade do piloto. Afirmaram que, no ano anterior, o outro piloto os havia levado com uma carga igual aquela. Com o orgulho ferido, o piloto topou a façanha e decolou o monomotor levando os pirarucus.
Passados alguns minutos, o aviãozinho “abriu o bico”. Fizeram um pouso de emergência numa outra planície deserta, milhas de distância da cidade mais próxima. Assim que saíram do avião, um perguntou:
— Você sabe onde estamos?
Ao que o outro respondeu:
— Acho que bem perto de onde
caímos no ano passado.
Teimosia engorda...
Histórias como esta mostram que geralmente sabemos o que é certo e errado. Assim como o que faz bem e mal para o corpo. Só que, por algum motivo incompreensível, insistimos em fazer a coisa errada. Temos mania de escolher o caminho da sabotagem. Pior: da auto-sabotagem.
Parece que, por mais que as pessoas estejam insatisfeitas com a vida que levam, o medo da mudança e a incerteza do que vão encontrar lá na frente é mais forte que o desejo de transformar-se. Só que, onde existe excesso de apego a determinados fatos e situações, existe falta de leveza e paz.
Costumo dizer que a transformação é um exercício contínuo de desapego. Afinal, há certas coisas que não podem ser mudadas. E, depois de ler esta coluna, pelo menos duas delas você já sabe quais são: a primeira é que pirarucu não voa. A segunda é que ele pode impedir você de voar. Ah, tem mais uma: moqueca de beira de estrada, pode ser perigosa...
Lucília Diniz é autora dos livros O Prazer da Cozinha Light, Doces Light, Lucília Diniz, Frente e Verso e O Prazer de Viver Light, que ensina o método usado por ela mesma para emagrecer 60 kg. |
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