Dieta Já!
Edição 136 - Março/2007
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  Intoxicações por alimentos ou remédios
As pessoas obesas estão sujeitas a contrair este mal porque comem mais e porque muitas tomam medicamentos para emagrecer. Saiba tudo sobre o problema nas respostas da médica Flávia Libonati, especialista pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN)

por Laïs de Castro

O que são intoxicações?
Existem diversos tipos e as mais comuns são as alimentares e medicamentosas. As primeiras podem ser caracterizadas pelo aparecimento de reações do organismo em resposta à ingestão de um alimento contaminado. São conhecidas como gastroenterites agudas. Já as medicamentosas decorrem da superdosagem de um remédio ou mesmo da interação de um ou mais medicamentos ingeridos simultaneamente.

Elas acontecem por quantidade ou por qualidade?
Se levarmos em consideração apenas as gastroenterites de origem bacteriana, as intoxicações alimentares seriam decorrentes da qualidade do que é ingerido. Mas, se incluirmos os comportamentos compulsivos nessa classificação, então, poderíamos dizer que uma intoxicação alimentar também surgiria em decorrência da quantidade de alimentos consumidos. É importante deixar claro que as gastroenterites bacterianas decorrem da ingestão de um produto contaminado, independente da quantidade consumida. O ponto decisivo para saber o que acontecerá após esta ingestão é a capacidade do nosso organismo de reagir frente a tal insulto.

As intoxicações por quantidade são mais comuns em obesos?
Uma parcela dos obesos apresenta o transtorno da compulsão alimentar, também conhecido como “Binge Eating”, aos quais eles unem, freqüentemente, estas outras alterações comportamentais. Por outro lado, o restante dos obesos fica beliscando o dia todo, de modo que ao final do dia comeram bem mais que o necessário, e muitas vezes, com uma qualidade inferior à desejada.

Quais as conexões entre intoxicação e obesidade?
As intoxicações alimentares decorrentes da ingestão de um produto contaminado podem ocorrer em qualquer pessoa. Já a compulsão alimentar parece ser mais comum no obeso, em função de inúmeros fatores como, por exemplo, o isolamento social que, muitas vezes, está presente e depressão. Já as medicamentosas podem ter uma maior freqüência nessa população se considerarmos que muitos deles precisam usar remédios em função dos males associados à obesidade, como hipertensão, diabetes, entre outras. E, ainda, porque muitos tomam drogas para emagrecer, favorecendo as intoxicações.

E entre intoxicação e alergia?
A alergia alimentar é uma reação adversa a determinado alimento, mas sempre envolve a participação do sistema imunológico. Elas podem trazer sintomas cutâneos, gastrintestinais e respiratórios. Já a intolerância alimentar é uma reação indesejável que surge após uma refeição, mas sem a participação dos mecanismos imunológicos. Nessa categoria, podemos incluir as reações não tóxicas como, por exemplo, a intolerância à lactose; e as tóxicas, quando se come alimentos contaminados por diversos microorganismos.

Remédios para emagrecer podem causar o mal?
A ingestão excessiva de medicamentos, incluindo as drogas para emagrecer, pode desencadear inúmeras reações no organismo e varia com grau de intensidade, do leve ao fatal, dependendo da quantidade. No caso dos remédios usados para perder peso, o cuidado deve ser redobrado, uma vez que fórmulas “mirabolantes” com esse fim podem trazer graves conseqüências, justamente em função das inúmeras interações (medicamentos podem interagir entre si, intensificando efeitos. Por exemplo: uma droga pode dar taquicardia e outra também, o que significa que a interação entre elas pode ser muito perigosa) a que estão sujeitas. Aqui também valem os conceitos de qualidade e quantidade, uma vez que a ingestão de um único remédio pode trazer sérios problemas caso seja tomado em excesso. Mesmo na dose prescrita pode interagir com alguma outra substância, não necessariamente outro medicamento (por exemplo, com o álcool), e apesar da quantidade ingerida ter sido correta, a interação leva a reações devastadoras.

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