Nunca se falou tanto em obesidade infantil como nos últimos tempos. Também pudera! O papel da família é mesmo básico para os bons hábitos alimentares na infância e na vida. A assistente administrativa Paloma Pereira da Silva, 22 anos, que o diga. Ela sempre comeu tudo errado, mas, até os 8 anos era magricela. Quando, porém, começou a tomar remédios para o vitiligo, uma doença dermatológica, disparou a engordar. "Acho que os medicamentos desencadearam a obesidade. Só que, para falar a verdade, ingeria quantidades absurdas de comida.
Às vezes, no café da manhã, engolia até um cheese bacon que meu pai preparava com carinho", relembra. Sua família também era dona de uma pizzaria... "Eu e minha irmã todo dia queríamos pizza no jantar...", acrescenta.
Assim, o desfecho foi o que se previa: Paloma começou a engordar e não parou mais. Aos 14 anos, de tão fofa que estava, a mãe levou-a a um endocrinologista. Só que ela não estava nem aí para afinar. O médico indicou um inibidor de apetite para conter a gula e auxiliar no tratamento de reeducação alimentar. Ela também freqüentou o grupo Vigilantes do Peso e conseguiu perder 12 kg. "Logo engordei tudo de novo, pois achava horrível ter que tomar remédio e encontrar as pessoas emagrecendo...", confessa a jovem, hoje, magra.
Com a alimentação descontrolada, aos 18 anos ela pulou para os 100 kg. Com 21 anos cravou 140 kg! "Como eu fugia da balança, não tinha noção do meu tamanho. Foi um choque quando descobri que media 1,56 m e pesava 140 kg", lamenta. Paloma começou a ficar deprimida, cansada e com várias complicações de saúde. "Tinha apnéia, roncava muito alto. Minha mãe ficava à noite inteira acordada me vigiando porque ela achava que me faltaria ar enquanto dormia", revela.
Cirurgia bariátrica: luz no fim do túnel
Foi quando a jovem decidiu sobre a cirurgia. "Li tudo sobre o assunto. Sabia que a operação era complicada, mas era a minha última esperança", conta. A moça tinha um outro problema pela frente: o preço alto da intervenção. Mas ela não desistiu! Arrumou um emprego em uma empresa de assistência médica. O plano de saúde cobria tudo e Paloma foi à luta.
Foi novamente ao endocrinologista, tratou-se com psicólogos, psiquiatras, nutricionistas, enfermeiros e professores de educação física. Os exames pré-operatórios avisaram que, se ela quisesse ser operada, teria, antes, que controlar a anemia, a pressão alta e a hipoglicemia. "Fiquei um mês em tratamento (sem emagrecer um grama) para depois me entregar ao bisturi. A ansiedade era enorme", recorda.
Em um mês: menos 30 kg!
A cirurgia que o especialista escolheu foi a Gastroplastia em Y de Roux, também conhecida como cirurgia de Capella. "Minha família me deu todo o apoio, mas eu, claro, tinha medo da operação. Ao mesmo tempo, preferia morrer do que ser gorda para o resto da vida", explica.
A cirurgia foi um sucesso. No primeiro dia ela não tomou nem água, depois tomava apenas líquidos: água, chá, águade- coco, isotônicos e o caldo em que era cozida a carne. "Tinha que tomar de 20 em 20 minutos, 20 ml (um copo descartável de café). Meu estômago já dava sinal de saciedade e não permitia a entrada de mais nada", lembra ela.
Depois de 30 dias Paloma começou com os alimentos pastosos. Durante o processo, foi medicada com suplementos alimentares para não ter problemas de anemia, por exemplo. Já no primeiro mês do pós-operatório, separou-se de 30 kg. Em três meses 54 kg já tinham sido exterminados. Em seis meses Paloma conseguiu acabar com a metade do seu peso anterior, ou seja, 70 kg. "Durante o emagrecimento minha irmã tomou alguns sustos, pois até minha fisionomia mudava. Eu adorava a transformação e, a cada semana, ficava mais fininha", conta.
Despertar para uma nova mulher!
Hoje, depois de quase um ano após a cirurgia, Paloma é só felicidade. "Nunca quis ser magérrima, mas também não dava para ser uma obesa mórbida, inclusive porque pessoas com excesso de peso têm complicações de saúde", alerta.
Mas nada de ilusões: "A cirurgia é metade do caminho, o restante é preciso correr atrás", ensina. Ela come tudo, só não consegue ingerir carne vermelha, miolo de pão e leite. "Meu médico disse que a única forma de engordar após a operação era abusar do açúcar. Aprendi a comer tudo light, diet e com adoçante. Também evito frituras. E só", diz.
Até um sanduíche do Mc Donald's Paloma encara de vez em quando. Mas sem a batata frita e o suco. Depois que conseguiu afinar, a jovem renovou o guarda-roupa e comprou uma moto. "Era louca para ter uma, mas gorda achava que ficaria estranho. Numa curva mais acentuada era perigoso até cair", brinca. Sua vida amorosa também está às mil maravilhas.
"Antes eu só tinha amigas. Hoje sou rodeada de paqueras. Uma vez fiquei com um menino na balada que era meu colega da escola e ele não me reconheceu. Quando disse quem eu era, ele ficou assustado e me cobriu de elogios. É ótimo ser uma nova mulher. Sou muito mais feliz agora", finaliza.

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| Acima e ao lado com 140 kg, duas vezes o seu peso atual. Na página à esquerda, ela comemora o fim da obesidade mórbida! |
FOTOS: ARQUIVO PESSOAL. PRODUÇÃO: ANDRÉA DA ROCHA. CABELO E MAQUIAGEM: ANDERSON BUENO (SOLLIEVO SPAZIO). ELA USA: C&A (SHORT E CINTO); RUM & BUTTER (TOP VERMELHO COM LUREX); PITANGA ACESSÓRIOS (BRINCOS, PULSEIRAS E BRACELETES VERMELHOS); DUZA (BRINCO ARGOLA DOURADA C/ CRISTAL); ACESSÓRIOS MODERNOS (ANÉIS); BEIRA RIO (SANDÁLIAS);TEEN´S CLUB (VESTIDO AMARELO)