Dieta Já!
Edição 137 - Março/2007
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  chocolate: do bem ou mal , afinal?
Nesta época do ano é difícil resistir a um pedaço desta delícia, não é mesmo? Mas os especialistas garantem: ele é permitido, desde que em pequenas porções

POR FABIANA GONÇALVES

POR FABIANA GONÇALVESAlgumas pessoas desistem da dieta na Páscoa para não ter que se privar do doce. Outros, porém, devoram todos os chocolates que ganharam ou compraram em uma semana - nem que isso acarrete em aumento de peso - para não morrer de vontade. Este, por exemplo, é o caso da apresentadora Adriane Galisteu que diz "não" ao chocolate o ano inteiro para poder devorá-lo nesta época.

Sabe-se que, assim como ela, não falta quem siga esta linha que, cá entre nós, não é nada boa, pois, de acordo com os especialistas, quanto mais o ser humano se priva de algo maiores as chances dele vir a ter uma compulsão pelo objeto do desejo.

"Sabe aquela velha história de que tudo o que é proibido é mais gostoso e tentador? Isso pode acontecer também com o chocolate, pois diante dele muita gente perde o controle", afirma o psiquiatra Arthur Kaufman, coordenador do Projeto de Atendimento ao Obeso (Prato), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (SP). "Por esse motivo é preferível comer um bombom sem recheio como sobremesa do almoço, diariamente, do que devorar uma caixa inteira ou um ovo de 500 g depois de meses de privação", completa a nutricionista Cristiane Ruiz Durante, que integra o mesmo projeto.

Quem são os grandes consumidores?
A endocrinologista Anete Hannud Abdo e o coordenador do projeto Prato, realizaram uma pesquisa com 73 voluntários ditos compulsivos por chocolate. O estudo mostra o perfil dos vorazes consumidores: "A idade varia entre 15 e 73 anos e o IMC (Índice de Massa Corpórea) está entre 17,67 a 52,85, sendo que 59,4% estão acima do peso (IMC igual ou maior que 25)", explica Anete.

Segundo a especialista, o tema central escolhido pelos voluntários nos encontros era exatamente a compulsão. "O que eles diziam revelava atitudes ambivalentes em relação ao consumo do doce. Para muitos, ele é visto como 'deus' e 'demônio'. Mas também houve referência ao chocolate como um companheiro, que proporciona um prazer semelhante ao do sexo. Além de ter sido citada aquela conhecida sensação de energia que ele traz", afirma.

Chocolate e vício
De acordo com Anete Abdo, ainda é cedo para comprovar se o pretinho gostoso vicia. "As substâncias psicoativas (promovem aquela urgência em degustá-lo), que estariam implicadas no possível 'vício' pelo chocolate, estão presentes também no licor de cacau. No entanto, o chocolate branco, tão apreciado por muitos, não contêm esse elemento psicoativo, mas as pessoas sentem um intenso desejo de consumi-lo", explica. "Outra surpresa: esperava-se que as cápsulas de cacau, onde também estão concentradas as tais substâncias, satisfizessem o desejo pelo doce. Elas, todavia, não tiveram nenhum efeito", esclarece o psiquiatra .

"Prefiro afirmar que as características sensoriais do chocolate, como cor, sabor, aroma e o fato de "derreter na boca" parecem para esses consumidores bem mais importantes do que os aspectos psicológicos", considera a endocrinologista.

FOTOS: SÍMBOLO IMAGENSeste pretinho faz um bem danado!!
Quem pensa que o chocolate está apenas na lista das guloseimas mais calóricas, engana-se. "O doce é rico em flavonóides (uma barra de 42 g de chocolate ao leite tem a mesma quantidade da substância que uma taça de vinho tinto), o que faz dele um poderoso antioxidante. Ele também melhora a relação HDL/LDL (bom/mau colesterol), agindo na prevenção de doenças cardiovasculares", garante Anete Hannud Abdo.

Segundo a médica, o cacau contém substâncias com ação anticoagulantes, o que também seria útil em doenças cardiovasculares. "Outra vantagem do negro amargo sobre o branco seria a capacidade de diminuir a pressão arterial e melhorar a sensibilidade à insulina em pessoas saudáveis. No entanto, a comprovação deste fato necessita de estudos a longo prazo", alerta.

O que dizer, então, das pessoas que não conseguem passar um dia sem esta guloseima? A nutricionista Cristiane Ruiz Durante é categórica. "Comer uma barra de 30 g é ideal para quem está de dieta. No entanto, por ser um produto calórico e rico em gordura, nunca deixe de prestar atenção às quantidades. Ele não pode exceder o total de calorias diárias prescritas para cada um", alerta Cristiane. "O chocolate, como qualquer outro alimento, nunca é fator determinante para o aumento de peso, desde que a pessoa mantenha o controle nas demais refeições e pratique atividade física (aeróbica) para queimar os excessos de calorias consumidas", complementa Anete. "Sou contra todo tipo de proibição no cardápio. Claro, se alguém que está de regime decidir comer um chocolate, deve optar por um pedaço menor", diz.

"E, de preferência, antes de devorá-lo, verifique o seguinte: a composição - se ele tem só manteiga de cacau ou bem mais desse ingrediente do que de gordura vegetal hidrogenada é de melhor qualidade; Quanto maior a concentração de cacau, ou seja, quanto menos doce e mais escuro ele for, melhor será para a saúde", ensina.

 

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